O diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás, afirmou nesta terça-feira (9) que as pessoas imunizadas contra a dengue há mais de 21 dias podem ficar tranquilas quanto à segurança da vacina desenvolvida pela instituição.
Em entrevista à GloboNews, Kallás destacou que quem já ultrapassou esse período está protegido e pode confiar na eficácia demonstrada pelo imunizante nos estudos clínicos.
“Todos aqueles que já receberam a vacina podem contar com a proteção que ela promete: cerca de 65% de redução do risco de contrair a doença ao longo de cinco anos e aproximadamente 80% de proteção contra casos graves”, afirmou.
A declaração ocorre um dia após o Ministério da Saúde anunciar a suspensão temporária da vacinação com o imunizante do Butantan para investigação de eventos adversos considerados raros.
Até o momento, foram registradas 42 ocorrências com sintomas compatíveis com dengue grave em pessoas vacinadas. Entre os casos investigados, três foram classificados como graves, incluindo dois óbitos. Ainda não há comprovação de relação causal entre a vacina e os eventos registrados.
Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 500 mil doses já haviam sido aplicadas até 30 de maio. Desse total, aproximadamente 417 mil foram destinadas a profissionais de saúde.
Orientação para quem foi vacinado recentemente
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reforçou que pessoas vacinadas há menos de 21 dias devem ficar atentas a possíveis sintomas e comunicar imediatamente qualquer ocorrência às autoridades de saúde.
De acordo com o Butantan, é justamente nesse período que os casos em investigação foram registrados. Após os 21 dias, não foram observados eventos semelhantes relacionados à vacinação.
Casos graves investigados
Entre os episódios analisados pelas autoridades sanitárias está o caso de uma mulher de 39 anos que apresentou febre, dores musculares e náuseas seis dias após receber a vacina. O quadro evoluiu para dengue grave com choque, exigindo internação em unidade de terapia intensiva, mas a paciente se recuperou.
Os dois óbitos investigados envolvem:
- Uma mulher de 48 anos que desenvolveu sintomas de dengue grave 19 dias após a vacinação, apresentando complicações neurológicas, incluindo meningoencefalite.
- Um homem de 58 anos que apresentou febre cinco dias após receber o imunizante e evoluiu rapidamente para um quadro de dengue grave com choque refratário.
As investigações seguem sob coordenação do Ministério da Saúde, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Instituto Butantan, que buscam esclarecer se existe alguma relação entre os casos registrados e a aplicação da vacina.
Enquanto isso, a suspensão permanece em caráter preventivo e temporário.

