A Copa do Mundo de 2026 começou antes mesmo da bola rolar e já evidencia diferenças marcantes entre os países-sede. Enquanto os Estados Unidos têm recebido delegações sob rígidos protocolos de segurança e controle migratório, o México aposta em uma recepção festiva para atletas e visitantes.
Nos últimos dias, equipes que desembarcaram em solo norte-americano relataram abordagens consideradas incomuns até mesmo para padrões internacionais. A seleção de Senegal, por exemplo, foi submetida a uma rigorosa revista ainda na pista do Aeroporto Internacional de Houston, no Texas.
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Jogador da seleção do Senegal é revistado na pista de um aeroporto nos EUA. — Foto: Reprodução/TV Globo
Jogadores, integrantes da comissão técnica e demais membros da delegação passaram por inspeções individuais com detectores de metal e verificação de bagagens antes mesmo de ingressarem na área de imigração do terminal.
A medida chamou atenção por ocorrer diretamente na pista de pouso, procedimento que não costuma ser adotado com delegações esportivas internacionais.
A seleção da Bélgica enfrentou situação semelhante ao desembarcar em Chicago. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram atletas sendo submetidos a revistas detalhadas, incluindo inspeções em calçados com detectores de metal.
Outro episódio que repercutiu internacionalmente envolveu o árbitro somaliano Omar Artan. Escalado para atuar na Copa do Mundo, ele teve a entrada nos Estados Unidos negada após passar horas sendo interrogado pelas autoridades migratórias. Segundo a Federação Somaliana de Futebol, o árbitro possuía visto válido e seria o primeiro representante do país a apitar uma partida de Mundial.
A seleção do Uzbequistão também relatou constrangimentos durante sua chegada aos Estados Unidos. Integrantes da delegação afirmaram que todas as bagagens foram revistadas por agentes acompanhados de cães farejadores. O grupo ainda teria aguardado por horas sob forte calor até receber autorização para deixar o aeroporto.
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Seleção e delegação do Uzbequistão espera na porta de ônibus ao desembarcar em Nova York para disputar amistoso contra Holanda, em 8 de junho de 2026. — Foto: Reprodução/ Redes sociais
O técnico da equipe, o italiano Fabio Cannavaro, criticou o procedimento.
“Foi a primeira vez na vida que passei por isso”, afirmou à imprensa norte-americana.
Política migratória mais rígida
Os episódios acontecem em meio ao endurecimento das políticas migratórias adotadas pelo governo do presidente Donald Trump.
Além das medidas já implementadas desde o início do mandato, os Estados Unidos ampliaram recentemente as restrições para entrada de cidadãos estrangeiros durante o período da Copa do Mundo.
O número de países submetidos a limitações para emissão de vistos passou de 19 para 39. Nações como Somália, Irã, Sudão, Haiti e Mali enfrentam restrições parciais ou totais para obtenção de vistos de turismo.
Outra medida adotada foi a exigência de depósitos caução para cidadãos de cerca de 50 países considerados de maior risco migratório. Os valores variam entre US$ 5 mil e US$ 15 mil e são devolvidos posteriormente, desde que o visitante cumpra as condições estabelecidas pelo visto.
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O jogador belga Kevin de Bruyne é revistado na chegada da seleção da Bélgica aos Estados Unidos, em Chicago, em 9 de junho de 2026. — Foto: Reprodução/ Redes sociais
Recepção calorosa no México
Enquanto isso, no México, o cenário tem sido bastante diferente.
A seleção da Espanha foi recebida com música, dança folclórica, bandeiras e manifestações de apoio ao desembarcar na cidade de Puebla para a disputa de um amistoso preparatório.
Vídeos compartilhados pela própria federação espanhola mostram músicos e grupos culturais recepcionando os jogadores logo na chegada ao país.
“Obrigado pela recepção tão especial”, publicou a seleção espanhola em suas redes sociais.
O contraste entre os dois modelos de recepção tem repercutido entre torcedores, dirigentes e observadores internacionais, transformando a organização da Copa em mais um reflexo das diferentes políticas adotadas pelos países que dividem a realização do Mundial de 2026.

