O Ceará alcançou a liderança nacional nas exportações de pescado no primeiro quadrimestre de 2026. Entre janeiro e abril, o estado exportou US$ 28,73 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 148 milhões, em produtos como lagosta, camarão, atum e peixes vermelhos.
O resultado consolida o protagonismo cearense na economia do mar e reforça a posição do estado como principal porta de saída dos pescados brasileiros para o mercado internacional.
Liderança nacional e potencial de crescimento
Apesar do desempenho recorde, o setor acredita que há espaço para uma expansão ainda maior nos próximos anos.
Segundo o secretário-executivo do Agronegócio da Secretaria do Desenvolvimento Econômico do Ceará (SDE), Sílvio Carlos, o estado reúne condições estratégicas para ampliar sua participação no comércio exterior.
“O Ceará tem tradição na economia do mar e os números demonstram que ainda há muito espaço para crescer”, afirmou.
Entre as metas do setor está a abertura do mercado europeu para os pescados cearenses, um passo considerado fundamental para ampliar as exportações.
“Mesmo sem exportar para a Europa, somos o principal exportador do Brasil. Com as ações realizadas e o apoio do governador Elmano de Freitas nas interlocuções com os ministérios da Pesca e Aquicultura e da Agricultura e Pecuária, acreditamos nesse novo momento”, destacou o secretário.
Localização estratégica fortalece competitividade
O Governo do Ceará atribui parte desse resultado à localização privilegiada do estado, considerado a porta de entrada do Brasil para diversos mercados internacionais.
A proximidade com rotas marítimas internacionais e a infraestrutura logística composta pelo Complexo Industrial e Portuário do Pecém, pelo Porto do Mucuripe e pelo Aeroporto Internacional de Fortaleza facilitam o escoamento da produção para mais de 16 países.
Para o empresário Paulo Gonçalves, diretor da Compex Pescados, a logística é um dos principais diferenciais competitivos do Ceará.
“As facilidades logísticas do Ceará contribuem muito para esse protagonismo, pois estamos muito bem servidos, com dois portos de cargas gerais e um aeroporto internacional. Isso facilita o escoamento das cargas de pescados, tanto congeladas quanto frescas”, afirmou.
Empresas ampliam presença internacional
A Compex Pescados, sediada em Fortaleza, é um dos exemplos do crescimento do setor. A empresa exporta cerca de 3,5 mil toneladas de pescados por ano para mercados da Ásia, Oceania e América do Norte.
Entre os principais produtos comercializados estão peixes vermelhos, atum e lagosta.
Fundada originalmente em Acaraú, a empresa expandiu suas operações e atualmente possui um parque industrial de aproximadamente 10 mil metros quadrados no bairro Cais do Porto, em Fortaleza.
No local, os pescados passam por processos de seleção, industrialização, armazenamento e controle de qualidade voltados às exigências dos mercados internacionais.
Segundo Paulo Gonçalves, o desempenho do Ceará é resultado do esforço conjunto de toda a cadeia produtiva.
“O desempenho do estado deve-se ao compromisso e profissionalismo dos pescadores e de todos que participam desse processo.”
Complexo do Pecém impulsiona investimentos
O Governo do Estado avalia que a estrutura do Complexo do Pecém tem desempenhado papel decisivo na atração de empresas voltadas ao processamento e exportação de produtos de alto valor agregado.
Além dos pescados, o equipamento tem fortalecido cadeias produtivas ligadas às frutas, flores e outros segmentos estratégicos da economia cearense.
“O Porto do Pecém tem atraído empresas que ajudam a viabilizar exportações de frutas, pescados e outros produtos estratégicos para a economia cearense”, ressaltou Sílvio Carlos.
Economia do mar segue em expansão
Além da pesca e da exportação de frutos do mar, outros segmentos do agronegócio cearense também registram crescimento, como a bovinocultura de corte, a avicultura, a ovinocaprinocultura, a fruticultura e a floricultura.
Destaque especial para a carcinicultura, atividade na qual o Ceará responde por mais de 50% da produção nacional de camarão.
Segundo o secretário, a economia do mar continuará sendo uma das principais alavancas de desenvolvimento do estado.
“A economia do mar cresce continuamente no Ceará, principalmente com a exportação de lagosta, atum e peixes vermelhos. Isso fortalece toda a cadeia produtiva e demonstra o potencial do estado para seguir crescendo acima da média nacional”, concluiu.

