O governo dos Estados Unidos ampliou a pressão comercial sobre o Brasil e outros 59 países ao propor uma nova tarifa adicional de 12,5% sobre produtos importados de nações consideradas insuficientes no combate ao trabalho forçado.
A medida foi anunciada nesta terça-feira (2) pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) e se soma a outra investigação divulgada nesta semana, que já prevê a possibilidade de uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros por supostas práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses norte-americanos.
Ainda não está claro se as duas tarifas poderão ser acumuladas.
Brasil está entre os países mais penalizados
O relatório divide os países investigados em dois grupos.
Na primeira categoria, com sobretaxa de 10%, estão países que possuem mecanismos parciais de controle ou acordos específicos relacionados ao tema, como:
- União Europeia
- Canadá
- México
- Indonésia
- Paquistão
- Equador
Já o Brasil aparece no grupo sujeito à tarifa de 12,5%, ao lado de economias como:
- China
- Índia
- Japão
- Coreia do Sul
- Reino Unido
- Argentina
- Arábia Saudita
O que os EUA alegam contra o Brasil
Segundo o relatório, o Brasil possui mecanismos de combate ao trabalho escravo, incluindo a conhecida “Lista Suja” do trabalho análogo à escravidão, mas não dispõe de instrumentos considerados suficientes para impedir a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado em outros países.
A investigação concluiu que essa falha criaria uma concorrência desleal para empresas e trabalhadores americanos.
O documento afirma que o problema não está relacionado principalmente ao trabalho escravo dentro do Brasil, mas à ausência de uma proibição efetiva para a importação de produtos produzidos sob essas condições em outros mercados.
Medida ainda não está valendo
A proposta ainda passará por consulta pública.
O cronograma divulgado pelo governo americano prevê:
- Até 6 de julho: envio de manifestações escritas;
- 7 de julho: audiências públicas;
- Após essa etapa: decisão definitiva sobre a implementação das tarifas.
Escalada da tensão comercial
A nova investigação aumenta a tensão entre Brasília e Washington.
Nos últimos dias, o governo americano já havia proposto uma tarifa adicional de 25% contra produtos brasileiros, alegando divergências em áreas como comércio digital, etanol, propriedade intelectual e políticas ambientais.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou as medidas como parte de uma pressão política e econômica dos Estados Unidos e acusou aliados do bolsonarismo de atuarem contra os interesses brasileiros durante contatos recentes com o governo de Donald Trump.
Caso as duas propostas avancem, o Brasil poderá enfrentar uma das maiores elevações tarifárias já discutidas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros nas últimas décadas.

