A decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas trouxe à tona uma situação que envolve aliados políticos do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Enquanto defende junto ao governo norte-americano medidas mais duras contra as facções criminosas brasileiras, Flávio manteve proximidade política com o ex-deputado estadual do Rio de Janeiro Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, preso pela Polícia Federal sob suspeita de envolvimento com integrantes do Comando Vermelho.
TH Joias foi preso em setembro de 2025 durante a Operação Zargun, ação conduzida pela Polícia Federal em conjunto com o Ministério Público do Rio de Janeiro. A investigação apontou uma suposta rede criminosa envolvida em tráfico interestadual de armas e drogas, lavagem de dinheiro, contrabando, corrupção e outros crimes relacionados ao crime organizado.
Na ocasião, o então deputado estadual foi detido em um condomínio de alto padrão na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, e posteriormente perdeu o mandato na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).
Antes da prisão, TH Joias e Flávio Bolsonaro participaram juntos de compromissos públicos e atividades políticas. Registros fotográficos mostram os dois lado a lado em eventos e agendas partidárias.
Outro nome ligado ao círculo político de Flávio Bolsonaro que aparece em investigações envolvendo integrantes do Comando Vermelho é o de Gutemberg Fonseca, ex-secretário estadual de Defesa do Consumidor do Rio de Janeiro. Ele foi indicado para o cargo durante o governo de Cláudio Castro.
Segundo informações divulgadas pela imprensa nacional com base em investigações da Polícia Federal, mensagens interceptadas apontariam que lideranças do Comando Vermelho buscavam interlocução com Gutemberg por meio de assessores ligados a TH Joias.
As apurações indicam ainda que integrantes da facção mencionaram reuniões e contatos envolvendo o então secretário. Gutemberg nega qualquer relação com atividades criminosas.
A coincidência política ganhou repercussão após Flávio Bolsonaro participar de reuniões nos Estados Unidos defendendo o enquadramento do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas. O senador esteve recentemente em Washington, onde tratou do tema com autoridades do governo norte-americano.
A classificação anunciada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos passa a vigorar oficialmente em junho e permitirá a adoção de mecanismos mais rígidos de monitoramento financeiro, bloqueio de ativos e sanções contra indivíduos e organizações ligados às facções.

