A Confederação Brasileira de Futebol anunciou, nesta segunda-feira (25), a criação de uma comissão nacional antiviolência para discutir medidas de segurança nos estádios brasileiros, nos centros de treinamento e no entorno das partidas. Entre as propostas em análise está a mudança dos horários dos jogos, especialmente das partidas realizadas à noite.
O grupo será liderado por Mauro Carmélio Neto, presidente da Federação Cearense de Futebol. O anúncio ocorreu durante reunião no Rio de Janeiro com representantes de clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro.
Segundo a CBF, a iniciativa surgiu após pesquisas apontarem queda na presença de torcedores nos estádios por questões ligadas à insegurança. Um levantamento realizado pela entidade no fim de 2025 mostrou que 35% dos torcedores deixaram de frequentar partidas por medo da violência.
Ainda conforme os dados apresentados pela CBF, 74% dos entrevistados disseram não considerar os jogos de futebol ambientes seguros para levar crianças e idosos.
Para Mauro Carmélio, a comissão terá como principal objetivo reconstruir a sensação de segurança no futebol brasileiro. “A CBF detectou que grande parte da população entende o futebol e os estádios como ambientes ainda violentos. A ideia é atuar em várias frentes para mudar essa percepção”, afirmou.
Entre os temas debatidos está a possibilidade de reduzir partidas em horários considerados problemáticos, como jogos às 20h30 aos domingos e às 19h durante a semana. A proposta é ampliar o número de confrontos realizados no período da tarde.
Segundo Mauro Carmélio, qualquer alteração dependerá de negociação com clubes e empresas detentoras dos direitos de transmissão. “A ideia é colocar mais jogos durante a tarde e menos partidas em horários noturnos, que foram bastante criticados”, explicou.
A comissão também pretende criar um banco de dados nacional integrado para impedir que torcedores banidos em um estado consigam frequentar estádios em outras regiões do país.
Outro ponto discutido é o endurecimento das punições contra envolvidos em atos de violência ligados ao futebol. A proposta prevê atuação mais direta da CBF em processos judiciais e a responsabilização individual de infratores, em vez de punições apenas aos clubes.
A entidade ainda pretende ampliar regras do Manual de Competições para incluir proteção aos centros de treinamento e áreas ligadas aos clubes, buscando evitar episódios de vandalismo e ameaças a jogadores e comissões técnicas.
Além disso, casos graves registrados em competições estaduais poderão passar a ser julgados pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva, dependendo da gravidade dos episódios.
Mauro Carmélio afirmou que a escolha para liderar a comissão representa reconhecimento ao trabalho desenvolvido no Ceará no combate à violência nos estádios. Segundo ele, clubes e federações poderão se inscrever para integrar oficialmente o grupo de trabalho, cuja composição final deve ser divulgada nos próximos dias.

