A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra deverá retirar o mega hair para permanecer na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo, onde está presa preventivamente após a Operação Vérnix, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo policiais penais da unidade, o procedimento faz parte das normas de segurança do sistema prisional paulista. De acordo com os agentes, alongamentos capilares e piercings não são permitidos dentro da penitenciária.
Os policiais afirmam que a restrição ocorre porque o mega hair pode representar risco à segurança dentro da unidade, inclusive em eventuais tentativas de fuga ou ocultação de objetos.
Presa em ala separada
Deolane foi transferida para Tupi Paulista após permanecer cerca de 14 horas na Penitenciária Feminina de Santana, na capital paulista. Na nova unidade, ela está em uma ala reservada para advogados presos preventivamente, em espaço conhecido como sala de Estado-Maior, sem contato com detentas comuns.
Segundo informações repassadas por policiais penais, a influenciadora utiliza uniforme padrão e recebe os mesmos itens fornecidos às demais internas, como colchão, cobertor, toalhas e travesseiros.
A Secretaria da Administração Penitenciária de São Paulo (SAP) informou que todos os presos do sistema estadual estão sujeitos às mesmas normas prisionais.
Sindicato denunciou supostas regalias
A transferência aconteceu após o Sindicato dos Policiais Penais do Estado de São Paulo (Sinppenal) denunciar supostas regalias concedidas a Deolane durante sua breve permanência na penitenciária da capital.
Entre as denúncias feitas pelo sindicato estão a utilização de cela isolada, instalação de chuveiro privativo, colchão diferenciado e restrição de acesso de agentes ao local onde ela permaneceu detida.
A Ordem dos Advogados do Brasil Seção São Paulo (OAB-SP) afirmou que o recolhimento em sala de Estado-Maior está previsto no Estatuto da Advocacia para profissionais presos preventivamente, ressaltando que se trata de prerrogativa legal e não de privilégio pessoal.
Investigação sobre lavagem de dinheiro
Deolane foi presa durante operação conjunta do Ministério Público e da Polícia Civil de São Paulo. As investigações apontam que contas bancárias ligadas à influenciadora teriam sido utilizadas em movimentações financeiras atribuídas ao PCC.
Segundo os investigadores, a estrutura empresarial e a exposição pública da advogada teriam sido usadas para dar aparência de legalidade a recursos supostamente provenientes do crime organizado.
A Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, onde Deolane está detida, tem capacidade para 714 presas, mas atualmente abriga mais de 870 mulheres, segundo dados divulgados pelas autoridades.

