A Polícia Federal rejeitou a proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso das fraudes envolvendo o Banco Master. A decisão já foi comunicada aos advogados do empresário e ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do inquérito.
Apesar da negativa da PF, a Procuradoria-Geral da República (PGR) ainda poderá analisar a proposta de forma independente e decidir se dará continuidade às negociações.
Segundo investigadores, o material entregue pela defesa de Vorcaro foi considerado insuficiente e trouxe poucas informações novas em relação ao que já havia sido descoberto durante as investigações da Operação Compliance Zero. A avaliação dentro da PF é de que o banqueiro evitou citar nomes considerados centrais no esquema e teria atuado para preservar pessoas próximas.
As investigações apontam que o caso ultrapassa suspeitas de fraudes financeiras e envolve possíveis crimes de corrupção, organização criminosa, lavagem de dinheiro e uso de uma estrutura clandestina para obtenção de dados sigilosos e ataques contra adversários.
A Polícia Federal apreendeu mais de oito celulares de Vorcaro. Parte do material já periciado revelou novas frentes de investigação, incluindo o funcionamento de uma espécie de milícia privada ligada ao banqueiro.
Transferido para cela comum
Nesta terça-feira (19), Daniel Vorcaro foi transferido para uma cela comum na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. Até então, ele permanecia em uma sala de Estado-Maior, modelo semelhante ao utilizado anteriormente pelo ex-presidente Jair Bolsonaro durante sua prisão em 2025.
A transferência ocorreu após solicitação da própria PF. Agora, o banqueiro ficará submetido às regras internas da corporação, inclusive em relação às visitas.
Vorcaro havia sido levado da Penitenciária Federal de Brasília para a sede da PF em março deste ano, justamente após iniciar as tratativas para um possível acordo de colaboração premiada.
Proposta não convenceu investigadores
O termo de confidencialidade foi assinado por Vorcaro no dia 18 de março, abrindo oficialmente caminho para a negociação da delação. No início deste mês, a defesa entregou um pen drive com anexos e documentos relacionados à proposta.
Mesmo assim, investigadores afirmam que o conteúdo apresentado não trouxe elementos relevantes capazes de alterar significativamente o rumo das apurações.
A percepção dentro da PF e da PGR é de que os anexos continham situações e diálogos já conhecidos pelas autoridades. Também chamou atenção o fato de Vorcaro não mencionar personagens considerados estratégicos na hierarquia do esquema investigado.
O caso Master ganhou dimensão nacional após a revelação de possíveis conexões entre fraudes financeiras, movimentações milionárias, uso de estruturas clandestinas e relações políticas envolvendo aliados do bolsonarismo.

