O Banco Central do Brasil informou nesta terça-feira (12) que cerca de R$ 10,5 bilhões seguem esquecidos em instituições financeiras por milhões de brasileiros. Os dados fazem parte do Sistema de Valores a Receber (SVR), plataforma criada para consulta e resgate de recursos esquecidos em contas bancárias, consórcios e outras instituições.
Segundo o BC, aproximadamente 45,3 milhões de pessoas físicas ainda têm valores disponíveis para resgate, somando R$ 8,1 bilhões. Já as pessoas jurídicas concentram cerca de R$ 2,4 bilhões esquecidos em contas bancárias.
Ao todo, mais de R$ 14,6 bilhões já foram devolvidos desde a criação do sistema.
Valores podem reforçar fundo do Desenrola
Parte dos recursos não resgatados poderá ser direcionada ao Desenrola Brasil. A proposta do Governo Federal prevê utilizar entre R$ 5 bilhões e R$ 8 bilhões do Sistema de Valores a Receber no Fundo Garantidor de Operações (FGO), mecanismo usado para cobrir possíveis inadimplências no programa.
Antes disso, será publicado um edital para convocar cidadãos e empresas a resgatarem os valores em até 30 dias. Após esse prazo, recursos não contestados poderão ser incorporados definitivamente ao fundo.
Como consultar o dinheiro esquecido
A consulta pode ser feita exclusivamente pelo sistema oficial do Banco Central:
Sistema Valores a Receber (SVR)
Pelo portal, pessoas físicas, empresas e herdeiros podem verificar se existem valores disponíveis e solicitar o resgate.
Como receber os valores
Para receber automaticamente o dinheiro esquecido, o usuário precisa:
- ter conta Gov.br nível prata ou ouro;
- ativar verificação em duas etapas;
- possuir chave Pix vinculada ao CPF.
Com a autorização automática ativada, os valores serão depositados diretamente pela instituição financeira quando houver saldo disponível.
No caso de pessoas falecidas, a consulta pode ser feita por herdeiros, inventariantes, representantes legais ou testamentários, mediante preenchimento de termo de responsabilidade.
O que pode gerar dinheiro esquecido
Entre os casos mais comuns estão:
- contas bancárias encerradas com saldo residual;
- tarifas cobradas indevidamente;
- cotas de cooperativas;
- recursos de consórcios;
- parcelas ou tarifas não resgatadas;
- contas de pagamento pré-pagas e pós-pagas.
O Banco Central reforça que a consulta deve ser feita apenas pelo sistema oficial para evitar golpes e fraudes.

