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    Manoel Carlos, autor de grandes novelas da TV brasileira, morre aos 92 anos no Rio

    By Agência Cearensejaneiro 11, 2026 Entretenimento
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    O autor Manoel Carlos morreu neste sábado (10), aos 92 anos, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pela família. A causa da morte não foi divulgada.

    Ele estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, onde fazia tratamento contra a Doença de Parkinson, que no último ano afetou o desenvolvimento motor e cognitivo.

    Conhecido como Maneco, Manoel Carlos começou na TV Globo em 1972, como diretor-geral do “Fantástico”. Antes disso, passou por diversas emissoras brasileiras, onde atuou como autor, produtor e ator. A carreira artística começou nos palcos, aos 17 anos. Ele também foi escritor e diretor.

    Ao longo dos anos, suas novelas ficaram marcadas pelo Rio de Janeiro como cenário — e também como personagem — e pela abordagem de conflitos familiares.

    Outro traço marcante de sua obra foram as “Helenas”. De Baila Comigo (1981) a Em Família (2014), as personagens retratavam mães cujo amor pelos filhos superava qualquer desafio.

    Manoel Carlos estava aposentado desde 2014 e vivia recluso com a família. Ele deixa duas filhas: a atriz Júlia Almeida e a roteirista Maria Carolina.

    O velório será fechado, restrito à família e a amigos íntimos.

    “A família agradece as manifestações de carinho e solicita respeito e privacidade neste momento delicado”, diz a nota divulgada pela família.

    Manoel Carlos durante apresentação da novela 'Viver a Vida', em agosto de 2006 — Foto: João Miguel Júnior/Globo

    Manoel Carlos durante apresentação da novela ‘Viver a Vida’, em agosto de 2006 — Foto: João Miguel Júnior/Globo

    Carioca de coração

    Manoel Carlos nasceu em 1933, em São Paulo, mas sempre se considerou carioca de coração. Filho de um comerciante e de uma professora, Maneco começou a trabalhar aos 14 anos como auxiliar de escritório.

    Ao mesmo tempo, já se aproximava das artes. Ele se reunia diariamente com um grupo de jovens na Biblioteca Municipal de São Paulo para ler e discutir literatura e teatro.

    Fernanda Montenegro, Fernando Torres, Fábio Sabag, Flávio Rangel e Antunes Filho faziam parte deste grupo, batizado de Adoradores de Minerva.

    Manoel é pai da atriz Júlia Almeida e da roteirista de novelas Maria Carolina, que colaborou com ele em diversas obras.

    O autor também teve outros três filhos, que morreram: o dramaturgo e ator Ricardo de Almeida, em 1988; o diretor Manoel Carlos Júnior, em 2012; e o estudante de teatro Pedro Almeida, aos 22 anos, em 2014.

    Estreia na carreira artística

    Apesar de todo seu sucesso como autor, Maneco iniciou sua carreira artística como ator. Aos 17 anos, atuou no “Grande Teatro Tupi”, um programa de teleteatro da TV Tupi. No ano seguinte, foi premiado como ator revelação e estreou como produtor e diretor.

    Em 1952, começou a escrever programas da TV e iniciou uma trajetória por várias emissoras, passando pela fase inaugural da TV Record e pela TV Itacolomi, de Belo Horizonte, além de uma estada no Jornal do Commercio, em Recife. Na TV Tupi, do Rio de Janeiro, adaptou mais de 100 teleteatros.

    Na década de 1960, Manoel Carlos participou das últimas produções da TV Excelsior.

    E na TV Rio, entre outros projetos, dividiu a redação do programa “Chico Anysio Show” com Ziraldo e Mário Tupinambá, e dirigiu “O Homem e o Riso”, também com Chico.

    Na TV Record, fez parte da equipe que escreveu e produziu programas como “Hebe Camargo”, “O Fino da Bossa”, “Bossaudade”, “Esta Noite se Improvisa”, “Alianças para o Sucesso”, “Para Ver a Banda Passar” e “Família Trapo”.

    Trajetória na TV

    Maneco estreou na TV Globo como diretor-geral do “Fantástico” em 1972, permanecendo no programa por três anos.

    As Helenas de Manoel Carlos

    Em 1978, fez sua primeira novela para a emissora, a “Maria, Maria”, uma adaptação do romance “Maria Dusá” de Lindolfo Rocha. No mesmo ano, adaptou o romance “A Sucessora”, de Carolina Nabuco. A novela tinha estrelas como Susana Vieira, Rubens de Falco e Arlete Salles.

    O autor se inspirou em sucessos da radionovela para consolidar seu estilo de escrita em dramaturgia.

    Em 1980, além de escrever alguns episódios do seriado “Malu Mulher” – protagonizado por Regina Duarte –, foi convidado por Gilberto Braga para dividir a autoria de “Água Viva”.

    A novela contava com Reginaldo Faria, Raul Cortez, Betty Faria, Tônia Carreiro, Glória Pires, entre outras estrelas.

    Além de suas históricas novelas, Manoel Carlos também escreveu minisséries como “Presença de Anita” (2001), e ‘Maysa – Quando Fala o Coração’ (2009).

    Helenas, Rio de Janeiro e conflitos familiares

    Em 1981, escreveu “Baila Comigo”, novela que levou sua primeira Helena ao ar. A personagem era interpretada pela atriz Lílian Lemmertz.

    As “Helenas” foram peças marcantes dos trabalhos de Maneco. Heroínas nas tramas, as personagens eram mães cujo amor pelos filhos era capaz de superar qualquer desafio.

    Ao Memória Globo, Maneco explicou que a origem do nome vem de sua paixão pela mitologia grega: Helena é o símbolo da mulher forte, guerreira e capaz de tudo em nome do amor.

    “Elas são aquelas mães abnegadas e ao mesmo tempo não se esquecem delas mesmas. São vaidosas, são justas e injustas na medida certa, né? Elas são mentirosas, elas escamoteiam a verdade em benefício de um filho, por exemplo. Elas defendem um filho até a injustiça. É muito difícil alguém escapar, uma mulher escapar da sua semelhança com a própria mãe”, contou Manoel ao “Fantástico” em 2014.

    O autor Manoel Carlos — Foto: Cedoc/TV Globo

    O autor Manoel Carlos — Foto: Cedoc/TV Globo

    Outras marcas do autor em suas novelas são o Rio de Janeiro como cenário, em especial o bairro do Leblon, e o mergulho em conflitos familiares.

    “Dizem que eu faço uma dramaturgia realista, naturalista, mas eu não acho nada disso. Procuro apenas fazer uma coisa verossímil. O amor se parece em todas as línguas, todos os países. O ódio, a inveja, o ciúme. E eu retrato só essas coisas, entende? E isso tudo existe em qualquer família. Eu ouço muito conversa em café, em bar, e tudo se parece”, explicou ele em entrevista à GloboNews em 2016.

    Além disso, ele também motivava ações socioeducativas, abordando temas como campanhas para doação de medula, contra o alcoolismo, violência contra a mulher, preconceito e inclusão social.

    “Situo as minhas novelas no Rio de Janeiro. Faço coisas muito fortes, sob um céu muito azul. As tragédias e os dramas acontecem, mas o dia está lindo. A praia e o espírito carioca dão uma coloração rosa ao contexto cinzento. E o público acaba absorvendo as tramas de uma maneira mais leve”, afirmou o autor em entrevista ao Memória Globo.

    “Manoel Carlos transformou o Leblon em um lugar quase mitológico”, disse o jornalista Mauro Ferreira.

    Em 1991, Maneco levou para a TV a novela “Felicidade”, que começou a esboçar 12 anos antes. A trama foi inspirada em diversos contos de Aníbal Machado e levava a segunda Helena de Maneco, interpretada por Maitê Proença.

    Em 1995, mais uma Helena aparecia na tela em “História de Amor”. A personagem de Regina Duarte integrava um triângulo amoroso e era apaixonada por Carlos Alberto (José Mayer), um médico casado com sua rival, Paula (Carolina Ferraz). O autor já afirmou que escreveu a novela para as duas atrizes.

    Três anos depois, levou a história de uma mãe que abre mão de seu filho em nome de outra filha, na novela “Por amor”. Novamente, Helena foi interpretada por Regina Duarte.

    Outra história de sacrifício materno que marcou a carreira de Maneco foi em “Laços de Família” (2000). Na trama, Vera Fischer viveu Helena, uma mãe que descobre que sua filha está com leucemia e que a única forma de salvá-la era gerar um filho do mesmo pai da garota. Porém, ela não ama mais o homem.

    A novela traz uma das cenas mais marcantes das novelas de Maneco: o momento em que Carolina Dieckmann, intérprete de Camila, raspa o cabelo. O autor afirmou que escreveu a personagem especialmente para a atriz.

    Com a novela, Maneco venceu vários prêmios como Troféu Imprensa, Troféu Internet e Prêmio Extra de Televisão.

    Em ‘Mulheres Apaixonadas’ (2003), Maneco exaltou a força feminina e colocou Christiane Torloni como sua Helena.

    “Acho que a mulher move o mundo, não só pelo fato dela ser geradora do ser humano, mas porque eu acho a mulher mais forte, mais sofrida, e injustiçada. Tem mais dificuldade na vida e no trabalho e ela faz disso uma fortaleza”, explicou o autor ao falar sobre a novela.

    Em 2006, trouxe Regina Duarte para sua terceira Helena. Desta vez, uma médica em “Páginas da Vida”.

    Três anos depois, estreou “Viver a Vida”, com Taís Araújo estrelando a primeira Helena negra de Maneco. A atriz interpretava uma top model internacional que, no auge da carreira, largava a profissão para se casar com Marcos (José Mayer), que tem uma filha que luta para se recuperar de um acidente que a deixou paraplégica.

    A última Helena de Maneco foi a herdeira de sua primeira musa: o autor convidou Júlia Lemmertz, filha de Lilian Lemmertz, para estrelar “Em Família” (2014).

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