Durante visita ao Ceará nesta quarta-feira (3), o presidente Lula (PT) fez um apelo direto aos homens brasileiros para o enfrentamento à violência doméstica. Em entrevista ao Bom Dia Ceará, da TV Verdes Mares, o petista defendeu uma campanha “de homem para homem” e disse que agressor não deve apoiá-lo.
“Homem que bate em mulher não precisa votar em mim. Essa mão que bate em mulher não precisa votar em mim. A mão da gente foi feita para trabalhar, para fazer cafuné e não para fazer violência na mulher”, declarou.
Na terça (2), durante agenda em Pernambuco, o presidente se manifestou sobre os casos recentes de feminicídios que chocaram o Brasil e cobrou dos próprios homens uma resposta para mudar a cultura de violência de gênero. Na oportunidade, o presidente disse que a primeira-dama lhe pediu uma “luta mais dura” para enfrentar a violência de homens contra mulheres.
Em entrevista no Ceará, Lula reforçou que a responsabilidade pelo enfrentamento à violência não é só das políticas públicas, mas de uma mobilização masculina capaz de transformar comportamentos. Segundo o presidente, é preciso convocar aqueles que “têm vergonha na cara, caráter e querem criar sua família com respeito”. “Se você não gosta mais dela, você vai embora”, completou.
“Não é uma causa de mulheres: é uma causa de homens”
Ao responder sobre quais ações têm sido adotadas pelo Governo Federal, Lula afirmou estar assumindo a tarefa de liderar uma articulação nacional pela mudança cultural e comportamental. O presidente relacionou a fala a casos recentes de mulheres brutalmente violentadas pelos parceiros e reforçou que não se trata de um problema restrito a uma classe social.
“A violência é do homem contra a mulher. Então, nós homens vamos ter que criar juízo, criar vergonha, nos educar e tratar com respeito. O que não dá é para aceitar como normal.”
Lei Maria da Penha
Lula fez referência à Lei Maria da Penha, sancionada durante seu primeiro mandato, em 2006. Para o presidente, apesar do marco legal, o País vive um cenário preocupante de subnotificação e reincidência. “Eu pensei que ia diminuir a violência. A violência aumenta a cada dia. E não é só no meio do pobre, não. É na classe média e na classe rica também.”
Ainda que não tenha detalhado formato ou data, Lula indicou que a intenção é mobilizar lideranças religiosas, esportivas, culturais e comunitárias para dar alcance nacional à campanha, rompendo a lógica de que o problema é exclusivamente das mulheres.
Com discurso firme e tom de indignação, o presidente usou o Ceará como palco para posicionar seu governo e direcionar a responsabilidade ao público masculino. “Não é uma coisa de mulher, é uma coisa de homem.”

