O julgamento do chamado “núcleo crucial” da tentativa de golpe de Estado foi retomado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (2). O grupo é formado por Jair Bolsonaro e outros sete réus, apontados pela PGR como principais articuladores da trama golpista.
A primeira defesa a se pronunciar foi a do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente. Ele é acusado de cinco crimes, incluindo tentativa de golpe e participação em organização criminosa armada.
Mais cedo, o relator Alexandre de Moraes apresentou o relatório do caso, seguido da manifestação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que reiterou o pedido de condenação dos acusados.
Defesa aposta na delação premiada
O advogado Jair Alves Ferreira abriu a sustentação reforçando a legalidade da delação premiada feita por Cid em 2023. Ele negou qualquer tipo de pressão para que o militar colaborasse.
“Ajudância de ordens só atrapalhou a vida do Cid. Ele não tinha obrigação de confessar nada, apenas de relatar o que sabia. Foi isso que ele fez”, disse Ferreira.
Em sua fala, o advogado acrescentou que Cid não teve envolvimento com documentos como o Punhal Verde e Amarelo ou com o plano chamado Copa 22, tampouco integrou grupos de WhatsApp que discutiam ações golpistas.
Na sequência, o advogado Cezar Bittencourt afirmou que não há provas de que Cid tenha incentivado qualquer ato contra a democracia.
“Não existe uma única mensagem em que ele proponha ou valide um golpe. A acusação confunde vínculo funcional com conduta criminosa”, afirmou, ressaltando que seu cliente também não participou dos ataques de 8 de janeiro de 2023.
Julgamento segue até 12 de setembro
Após a fala da defesa de Mauro Cid, será a vez dos advogados dos demais réus, em ordem alfabética. Cada sustentação oral terá até uma hora de duração.
O julgamento está programado para se estender por cinco dias: 2, 3, 9, 10 e 12 de setembro, sempre com transmissão ao vivo pela TV Justiça
Advogado de Mauro Cid. — Foto: Rosinei Coutinho/STF

