Morreu neste sábado (9) o professor, pesquisador e escritor Hilário Ferreira, um dos principais nomes dos estudos sobre a população negra e da luta antirracista no Ceará. A informação foi divulgada pela Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, que lamentou a morte do intelectual em nota oficial.
Doutorando em História pela Universidade Federal do Ceará, Hilário Ferreira também era mestre em História Social e graduado em Ciências Sociais pela instituição. Ao longo da trajetória acadêmica, dedicou-se à pesquisa sobre escravidão, relações raciais, tráfico interno de pessoas escravizadas e cultura afro-cearense.
Além da atuação como pesquisador, também trabalhou como professor da Faculdade Ateneu, contribuindo para a formação de estudantes e pesquisadores no Ceará.
Entre as obras mais conhecidas de Hilário Ferreira está o livro Catirina minha nega, teu sinhô tá te querendo vender, considerado uma importante contribuição para os estudos sobre as dinâmicas sociais e raciais no estado.
Suas pesquisas também abordaram as disputas de memória e narrativa em torno da abolição da escravidão no Ceará, envolvendo instituições culturais, movimentos negros e a imprensa cearense.
Fora da universidade, Hilário Ferreira teve forte participação em movimentos culturais ligados à valorização da cultura negra. Participou de grupos de Maracatu e Afoxé, além de integrar projetos e eventos voltados à memória afro-cearense.
O pesquisador também esteve presente na exposição “Quilombolas”, realizada no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, e participou de edições do Festival Afrocearencidades.
Em nota, a Secretaria da Cultura destacou o legado deixado pelo pesquisador.
“Hilário Ferreira deixa um legado de conhecimento, resistência e compromisso com a cultura e a história do povo negro cearense”, afirmou a pasta.
A secretaria também prestou solidariedade aos familiares, amigos, alunos e integrantes da comunidade acadêmica e cultural do Ceará.

