O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu, na manhã desta terça-feira, no Palácio do Planalto, seus ministros para discutir a execução de medidas consideradas essenciais pelo governo. Durante a abertura do encontro, transmitido à imprensa, Lula criticou o aumento de tarifas imposto por Donald Trump sobre produtos brasileiros, a guerra em Gaza e a ausência de regulação sobre as grandes empresas de tecnologia.
O presidente e sua equipe também usaram bonés com a frase “O Brasil é dos Brasileiros”. O adereço começou a ser utilizado em fevereiro por membros do governo como resposta ao famoso “Make America Great Again” (“Torne os EUA grandes de novo”, em tradução livre), lema associado a Trump e que já foi adotado por opositores no Brasil, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
No discurso, Lula acusou Trump de agir “como se fosse o dono do planeta”.
— É algo sem cabimento, mas ele continua ameaçando o mundo todo — declarou.
Segundo Lula, o ex-presidente norte-americano intimida países que tentam criar regras para as big techs. O governo brasileiro, por sua vez, trabalha em dois projetos para regulamentar a atuação dessas companhias.
— Ontem, às 21h, ele [Trump] voltou a publicar uma nota ameaçando, dizendo que qualquer um que mexer com as big techs deles sofrerá as consequências. Alega que essas empresas são patrimônio dos EUA e não admite interferência. Isso pode valer para ele, mas não para nós. O Brasil é soberano, temos nossas leis e qualquer empresa que quiser atuar nos nossos 8,5 milhões de quilômetros quadrados, seja em nosso espaço aéreo, marítimo ou em nossas florestas, deve respeitar a Constituição — afirmou.
Na segunda-feira, Trump anunciou que pretende impor novas tarifas sobre produtos de alguns países exportados para os EUA, além de restrições à venda de tecnologias de ponta e semicondutores. A medida seria uma retaliação a impostos sobre serviços digitais que afetam companhias americanas de tecnologia.
“Impostos digitais, leis sobre serviços digitais e regulações de mercados digitais são criados para prejudicar e discriminar a tecnologia dos EUA”, publicou Trump na rede Truth Social. “E, de forma revoltante, dão vantagens às maiores empresas chinesas. Isso precisa terminar, e terminar AGORA!”

