O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, denunciou neste sábado (23) que o Banco do Brasil vem sendo alvo de uma campanha orquestrada por grupos bolsonaristas com a intenção de desestabilizar a instituição e, por consequência, fragilizar o conjunto das empresas públicas nacionais. A declaração foi dada em entrevista ao Jornal GGN.
De acordo com Haddad, fake news têm circulado em redes sociais incentivando correntistas a realizar saques em massa e a encerrar contas, além de levantarem suspeitas infundadas sobre as operações do banco. “Estamos diante de um ataque deliberado ao Banco do Brasil, promovido por bolsonaristas. O objetivo é minar a confiança da sociedade nas instituições”, afirmou.
Na sexta-feira (22), o g1 revelou que o Banco do Brasil recorreu à Advocacia-Geral da União (AGU) pedindo medidas judiciais contra perfis digitais que disseminam desinformação. A instituição listou diversas publicações que, além de incitarem ataques ao banco, colocariam em risco a segurança do Sistema Financeiro Nacional.
Haddad citou ainda a tramitação de projetos de lei no Congresso que, segundo ele, integram essa mesma estratégia. Entre eles, está a proposta de perdão de dívidas do agronegócio junto ao Banco do Brasil, mesmo sem o setor apresentar dificuldades financeiras significativas. “A inadimplência cresce artificialmente, incentivada por essa ação coordenada”, criticou.
BB tenta blindar sua imagem
Com o crescimento da onda de boatos, o Banco do Brasil montou uma estratégia de contenção. A alta direção contatou diretamente os 100 maiores investidores para esclarecer informações e reforçar a estabilidade da instituição. Funcionários também foram orientados a tranquilizar clientes e combater rumores.
Conexão com STF e sanções americanas
Os ataques ganharam força a partir de especulações sobre supostas contas de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O caso coincide com a aplicação da Lei Magnitsky, usada pelos Estados Unidos para sancionar autoridades estrangeiras. O ministro Alexandre de Moraes tornou-se alvo da legislação, que impõe congelamento de ativos nos EUA e proibição de negócios com empresas americanas.
Segundo Haddad, esse ambiente se soma a um quadro de hostilidade política mais amplo. “O país vive um momento em que o jogo democrático foi substituído pelo vale-tudo. Não podemos recuar na defesa das nossas instituições”, alertou.
Com informações do G1
foto: Diogo Zacarias / MF

