O filme “Feito Pipa”, dirigido pelo cearense de Russas Allan Deberton e com roteiro de seu conterrâneo André Araújo, estreará mundialmente no Festival Internacional de Cinema de Berlim 2026 (Berlinale), que acontece entre os dias 12 e 22 de fevereiro, na capital alemã. O longa é estrelado por Lázaro Ramos, Teca Pereira e Yuri Gomes.
O filme, que foi gravado em Quixadá, integra a mostra dedicada a obras com temáticas e protagonistas infantojuvenis.
A participação no festival de cinema é um feito inédito para a Incubadora Paradiso em que, pela primeira vez, obras desenvolvidas pelo projeto chegam à programação de um grande festival internacional, com a seleção de “Feito Pipa” e do mineiro “Nosso Segredo”.
O Projeto Paradiso, iniciativa filantrópica do Instituto Olga Rabinovich, investe em formação profissional, formação profissional e geração de conhecimento no setor audiovisual, com programas de bolsas, mentorias, cursos e estudos.
Focado na internacionalização, atua por meio de parcerias com instituições de referência no Brasil e no mundo, criando oportunidades para profissionais em diferentes fases da carreira. Desde 2018 a iniciativa já beneficiou centenas de profissionais brasileiros do audiovisual por meio de suas inúmeras iniciativas.
“Entrei para a Incubadora Paradiso em plena pandemia, num período de muitas incertezas para todo mundo e especialmente desafiador para nós, realizadores fora do eixo Rio–São Paulo. Escrever já é, por si só, um processo solitário, e a Incubadora criou um espaço real de troca, tanto com outros roteiristas quanto com mentores”, destaca o roteirista André Araújo.
O investimento do Projeto Paradiso no roteiro e no roteirista, enxerga o cearense, é a base do cinema. Com ele, houve tempo e estrutura para “Feito Pipa” amadurecer e sair do papel. Agora, não esconde a emoção em ver os personagens que idealizou ganharem as telas em um dos mais importantes festivais de cinema.
“É um projeto que nasceu de um lugar muito íntimo e que agora passa a existir em diálogo com outras pessoas, outras culturas e outros olhares. Para além da visibilidade, é a possibilidade de o filme circular, gerar encontros e abrir novos caminhos.”
O diretor Allan Deberton destaca que a parceria foi fundamental, não só para potencializar o projeto, mas para proporcionar o encontro com outros parceiros que tornaram o sonho possível. “A Deberton Filmes e a Biônica Filmes assim se conheceram, por intermédio do Projeto Paradiso e, por isso, sou eternamente grato”, complementa.
Para Josephine Bourgois, diretora executiva do Projeto Paradiso, a estreia do filme na Berlinale simboliza o impacto de investimentos contínuos na fase de desenvolvimento. “O percurso de ‘Feito Pipa’ mostra como o desenvolvimento precisa de tempo e cuidado. Quando criamos a Incubadora Paradiso, a ideia era justamente oferecer esse espaço de escuta e amadurecimento, para que projetos nascidos de lugares íntimos pudessem se fortalecer e encontrar seu caminho no mundo”.
O filme
Em “Feito Pipa”, o público acompanha a história de Gugu, um menino queer, talentoso no futebol, que vive com a avó Dilma em uma pequena cidade cercada por uma barragem. Quando o reaparecimento da cidade submersa faz os traumas da mulher emergirem, agravando o Alzheimer com o qual ela convive, o protagonista precisa lutar pela memória da avó para não ter que morar com o pai, que não o aceita.

