A CPMI do INSS terá sua primeira sessão nesta terça-feira (26) já sob forte pressão: mais de 900 requerimentos foram protocolados antes mesmo do início das oitivas. O colegiado foi criado após operações da PF e da CGU que revelaram um rombo de até R$ 6,3 bilhões em fraudes previdenciárias.
Os parlamentares miram personagens centrais do escândalo. Entre eles, Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como o “careca do INSS”, alvo de 15 pedidos de convocação e de quebras de sigilo. Também estão na mira o ex-presidente do INSS Ahmed Mohamad Oliveira Andrade (José Carlos Oliveira, no governo Bolsonaro), o ex-presidente Alessandro Stefanutto e o ex-ministro Carlos Lupi (PDT). Até o atual ministro da Previdência, Wolney Queiroz, recebeu oito solicitações para prestar esclarecimentos.
O embate político, porém, roubou a cena. Deputados do PT pediram a convocação de Jair Bolsonaro. Já a senadora Damares Alves (Republicanos) contra-atacou e apresentou pedidos para ouvir Dilma Rousseff, Michel Temer e até o presidente Lula.
Panorama dos pedidos
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420 convocações;
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59 convites;
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178 pedidos de quebra de sigilo (a maioria bancária);
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172 solicitações de relatórios ao Coaf;
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75% dos requerimentos foram feitos pela oposição.
O desafio imediato será escolher o vice-presidente da CPMI. O nome do deputado Marcel van Hatten (Novo-RS) agrada a oposição, mas não tem consenso. A base aliada sugere Duarte Jr. (PSB-MA) como alternativa.
O relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), já sinalizou que além de investigar os descontos indevidos em aposentadorias, pode ampliar o foco para as denúncias de fraudes em empréstimos consignados.
A comissão terá prazo inicial de seis meses, podendo ser prorrogada. O resultado desse trabalho pode levar à apresentação de denúncias criminais, dependendo da análise da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Fonte: g1

