Bastante aguardada, a sangria do açude Orós, localizado na bacia do Alto Jaguaribe, a 343 km de Fortaleza, ocorreu nessa quinta-feira (15), por volta das 8h30, acompanhada ao vivo, por meio de câmera instalada pela Prefeitura da cidade e disponibilizada no YouTube. O município celebrou o momento e publicou nas redes sociais que “o açude sangrou nesta quarta-feira, 15 de abril, trazendo alegria, esperança e renovação para o nosso povo”.
Porém, a válvula denominada véu de noiva, que faz a dispersão das águas, famosa por criar um espetáculo, após novo monitoramento dos bombeiros, passará por reforma, a começar nesta sexta-feira (16). Portanto, o setor ficará interditado.
Ela passou por obras de modernização em 2025, foi reativada, voltando a funcionar em 2026, atraindo visitantes para o banho e vista panorâmica. Os serviços devem durar uma semana e engloba também a parede do açude.
O Açude Orós é o segundo maior do Ceará e atrai visitantes com paisagens encantadoras. No local, são realizados passeios de barco, banhos refrescantes e, segundo o secretário de Turismo, Luiz Eduardo, “é inesquecível o pôr do sol”. Ele disse que abaixo da válvula véu de noiva se forma uma correnteza, num ambiente único para relaxar e se divertir. Mesmo o setor estando em reforma, terá equipes de bombeiros no local para evitar qualquer problema.
“Uma força-tarefa é montada, sobretudo, nos fins de semana. Nessa operação, temos equipes de apoio com seguranças, além dos bombeiros civis, Demutran, salva-vidas e, se necessário, a Marinha do Brasil para fiscalização nas áreas aquáticas.” Luiz Eduardo destaca que o turismo local é forte e que tem programações culturais aos fins de semana, valorizando bandas da terra, aquecendo o comércio, pousadas e restaurantes e reforçando todos os cuidados com o meio ambiente.
O açude acumula 1,9 bilhão de metros cúbicos e possui 670 metros de comprimento e 54 metros de altura, sendo abastecido pelas águas do Rio Jaguaribe. Foi construído pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs). Nos últimos 20 anos, ele sangrou ano passado, em 2011, 2009 e 2008. No momento da sangria, ontem, tinha muita gente acompanhando a elevação do nível da água. A sangria ainda está em baixo nível, mas a expectativa é a de que aumente com o passar dos dias.
Conforme já publicamos recentemente, as águas do Orós são utilizadas também na piscicultura, na irrigação, na perenização do Rio Jaguaribe e no abastecimento, inclusive de Fortaleza. No final de fevereiro, os Comitês de Bacia dos Vales do Jaguaribe e Banabuiú e a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) deliberaram vazão de 6 m³ para o Açude Castanhão (o maior do Ceará) para o sistema integrado que atende Fortaleza e municípios da Região Metropolitana.
O Portal Hidrológico não conseguia ser acessado na tarde de ontem. Atualmente, o Ceará está com 8,66 bilhões de m³, equivalente a 47,18% das reservas. O Estado possui 26 açudes sangrando e outros 37 reservatórios operando com mais de 70% da capacidade, elevando o volume total. Ao todo, 31 açudes da Cogerh estão com volume inferior a 30%, com alerta maior para as bacias dos Sertões de Crateús (19,6%), Médio Jaguaribe (26,7%) e Banabuiú (28,5%). A Companhia monitora 144 reservatórios.
As chuvas na região do Alto Jaguaribe nesta semana influenciaram na sangria dos açudes Caldeirões, em Saboeiro, Muquém, em Cariús, e Trici, em Tauá. As águas desse último seguem para o Açude Arneiroz II e dos dois primeiros, para o Açude Orós. Outros açudes que estão vertendo: Jenipapo, Sobral, Mamoeiro, Pau Preto, Valério, Itapuna, Várzea da Volta, Quandú, Gameleira, Germinal, Cachoeira, Olho D’água, Rosário, Ubaldinho, Tatajuba, Gangorra, Colina, Batalhão, São José III e Orós.
Alguns acima de 70% da capacidade: Araras, em Varjota (70,42%); São Vicente, em Santana do Acaraú (86,83%); Forquilha, em Forquilha (86,49%); Arneiroz II, em Arneiroz (96,40%); Trussu, Iguatu (88,81%); e Prazeres, em Barro (88,08%).

