O Supremo Tribunal Federal (STF) inicia um julgamento histórico: pela primeira vez, um ex-presidente da República é réu por crimes contra a democracia. Jair Bolsonaro (PL) é acusado de comandar um complô armado que tentou anular as eleições de 2022 e manter seu governo à força.
A acusação da PGR
A Procuradoria-Geral da República (PGR) afirma que Bolsonaro foi o principal beneficiário e articulador do plano. Entre as acusações estão: tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, danos ao patrimônio da União, grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.
Segundo o procurador Paulo Gonet, o então presidente utilizou sua autoridade para radicalizar a população e incitar ruptura institucional.
Linha do tempo da conspiração
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2021: Bolsonaro inicia ataques às urnas. Em live, com Anderson Torres, divulga fake news sobre fraude. No 7 de Setembro, chama Moraes de “canalha” e diz que não mais cumpriria decisões do STF.
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2022:
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Julho: em reunião ministerial, fala em caos se o PT vencesse; Augusto Heleno defende “virar a mesa”.
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Julho: reunião com embaixadores para espalhar dúvidas sobre o sistema eleitoral.
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Outubro: após o 1º turno, aliados admitem não haver fraude, mas mantêm narrativa de deslegitimação. A PRF é acusada de dificultar a votação no Nordeste.
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Novembro–Dezembro: surgem acampamentos golpistas em quartéis. Minutas de decretação de estado de sítio e até planos de assassinato de Moraes, Lula e Alckmin são discutidos. Mauro Cid confirma que Bolsonaro tinha conhecimento das propostas e chegou a editar o texto.
8 de janeiro de 2023
A derrota eleitoral não encerrou o movimento. Em 8 de janeiro, milhares invadiram o Congresso, o Planalto e o STF, destruindo obras e clamando por intervenção militar. Para a PGR, o episódio foi a culminação de uma trama gestada por dois anos, com participação política, militar e digital.
O presente: julgamento e prisão domiciliar
Bolsonaro, hoje em prisão domiciliar, nega envolvimento. Seus advogados dizem que as acusações são “absurdas” e que não há provas de sua ligação direta com os atos golpistas. Militares como Augusto Heleno e Braga Netto também negam articulação.
A PGR, porém, defende que a radicalização contínua, os discursos de ódio e a omissão do ex-presidente diante da violência confirmam seu papel central no maior ataque à democracia desde a ditadura.
➡️ Com informações do g1
Foto: Gustavo Moreno/STF

