O relatório da Polícia Federal que levou ao afastamento do prefeito de Sorocaba (SP), Rodrigo Manga (Republicanos), descreve o político como chefe de uma organização criminosa montada dentro da estrutura da Prefeitura. O documento indica que Manga teria usado contratos públicos, empresas de fachada e pessoas próximas para movimentar e disfarçar valores de origem ilícita.
A apuração faz parte da Operação Cópia e Cola, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro e corrupção envolvendo empresários, servidores e familiares do prefeito.
Na segunda fase da operação, o cunhado de Manga, Josivaldo Batista de Souza, e o empresário Marco Silva Mott foram presos.
Crimes ligados ao exercício do cargo
Segundo a PF, as práticas ilegais começaram logo após Manga assumir o cargo, em janeiro de 2021, e estavam “intrinsecamente vinculadas ao exercício do mandato”. O relatório afirma que o prefeito era o líder e beneficiário direto das ações criminosas e que o afastamento foi necessário “para cessar práticas delitivas dentro da administração municipal”.
Lavagem de dinheiro via contratos de publicidade
A investigação identificou que o esquema usava contratos de publicidade simulados para dar aparência legal ao dinheiro desviado.
Esses contratos foram firmados entre a empresa 2M Comunicação e Assessoria, da esposa do prefeito, Sirlange Rodrigues Frate, e entidades ligadas aos investigados, como a Sim Park Estacionamento Eireli, de Marco Mott, e a Igreja Cruzada dos Milagres dos Filhos de Deus, administrada por Josivaldo de Souza e Simone Frate Souza, irmã da primeira-dama.
A PF concluiu que os acordos eram fictícios e serviam para reintroduzir no mercado formal recursos provenientes de corrupção. Foram movimentados R$ 448,5 mil pela empresa de Mott e R$ 780 mil pela entidade religiosa.
Indícios de corrupção e favorecimento
Além da lavagem de dinheiro, o relatório cita contratações ilegais de organizações sociais para a gestão de unidades de saúde, como a UPA do Éden e a UPH da Zona Oeste, por meio de dispensas de licitação irregulares.
Interceptações telefônicas apontam pressão direta de Manga para agilizar contratos emergenciais.
Há também suspeita de compra de imóvel com dinheiro vivo, utilizando intermediários para ocultar a origem de R$ 182,5 mil.
Participação de aliados e familiares
O cunhado Josivaldo Batista de Souza é descrito como operador financeiro do grupo, responsável por anotar movimentações de propinas em uma “contabilidade paralela” no celular.
O empresário Marco Silva Mott, por sua vez, é apontado como figura-chave nas operações financeiras do grupo, com papel de influência direta em decisões da Prefeitura. Durante buscas, a PF apreendeu R$ 646 mil em espécie em seu endereço.
Impactos políticos
O caso tem grande repercussão no interior paulista. Manga, filiado ao Republicanos e aliado político de Tarcísio de Freitas, foi afastado por 180 dias e é alvo de múltiplas investigações por lavagem de dinheiro, corrupção, fraude e associação criminosa.
Para investigadores, a suposta estrutura criminosa tinha o objetivo de financiar campanhas e manter o poder político na cidade.
A defesa do prefeito nega as acusações e afirma que todos os contratos firmados pela gestão são legais e auditáveis.

