As tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos ganharam um novo capítulo nesta segunda-feira (8). O subsecretário de Diplomacia Pública do Departamento de Estado usou a rede social X para criticar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, associando-o a “abusos de autoridade” que, segundo ele, teriam afetado “as liberdades fundamentais” no Brasil.
A mensagem foi publicada um dia após as comemorações da Independência e reafirmou o compromisso de Washington em apoiar “o povo brasileiro que busca preservar os valores da liberdade e da justiça”.
A declaração soma-se ao discurso do presidente Donald Trump, na última sexta-feira (5), quando o republicano afirmou estar “muito irritado” com o Brasil e cogitou restringir vistos de autoridades brasileiras que planejam participar da Assembleia Geral da ONU. “O governo mudou radicalmente para a esquerda. Isso está fazendo muito mal. Vamos ver”, disse o presidente americano.
O mal-estar entre os dois países foi agravado pelas tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros impostas em agosto. Trump justificou a medida alegando que o ex-presidente Jair Bolsonaro seria alvo de perseguição judicial e classificou o julgamento no STF como parte de uma “caça às bruxas”.
O ministro Alexandre de Moraes, relator do processo em que Bolsonaro responde por tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa, tornou-se alvo recorrente do governo Trump. Ele já teve o visto americano revogado e foi incluído em sanções previstas pela Lei Magnitsky.
Analistas avaliam que a combinação de tarifas econômicas e ameaças diplomáticas faz parte de uma estratégia da Casa Branca para pressionar governos considerados adversários ideológicos. A possibilidade de restrições durante a Assembleia da ONU acende alertas sobre os efeitos para a política externa brasileira e para o papel dos Estados Unidos como anfitrião de organismos internacionais.
Com informações do G1.

