O ex-governador do Ceará e ex-candidato à Presidência, Ciro Gomes (PDT), pode enfrentar prisão preventiva em um processo por violência política de gênero. O pedido foi feito pela Advocacia do Senado à Justiça Eleitoral do Ceará, onde o pedetista é réu por ataques contra a atual prefeita de Crateús, Janaína Farias (PT).
A solicitação foi registrada em dois documentos, nos dias 1º e 4 de setembro, e aguarda análise judicial. Para os advogados do Senado, Ciro tem repetido ofensas contra Janaína mesmo após ter sido denunciado, o que caracteriza risco à ordem pública.
As falas de Ciro contra a prefeita começaram em abril de 2023, quando ela assumiu temporariamente o mandato de senadora. À época, o ex-governador disse que Janaína era um “cavalo” de Camilo Santana, hoje ministro da Educação, e insinuou que ela atuava como assessora de “assuntos de cama”. Em 2025, voltou a atacá-la, afirmando que ela recrutava jovens mulheres para satisfazer Camilo.
O Ministério Público Eleitoral do Ceará considera que as declarações configuram violência política de gênero, ao tentar constranger e humilhar a prefeita por ser mulher. A pena para o crime varia de um a quatro anos de prisão. A Procuradoria ainda não se manifestou sobre o novo pedido de prisão preventiva, mas em 2024 já havia se posicionado favoravelmente a medidas cautelares contra Ciro.
Em sua defesa, o pedetista nega ter praticado violência política. Seus advogados afirmam que as críticas eram dirigidas a Camilo Santana e que Janaína foi apenas “personagem secundário no embate”. O advogado Walber Agra argumenta que não há requisitos para a prisão e que tratar o ex-governador como criminoso é incompatível com o Estado de Direito.
O histórico do caso inclui uma condenação de Ciro em maio de 2025 pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal, que o obrigou a pagar R$ 52 mil a Janaína por danos morais e o proibiu de repetir ofensas. O político recorreu da decisão.
Com o novo pedido, a Advocacia do Senado pede celeridade na análise do processo, afirmando que uma eventual condenação terá caráter pedagógico para coibir práticas de violência política contra mulheres.
Com informações do G1 Ceará

