O tarifaço de 50% aplicado pelo governo de Donald Trump contra produtos brasileiros já trouxe reflexos negativos: em agosto, as exportações do Brasil para os Estados Unidos caíram 18,5%, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (4) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
O recuo equivale a US$ 600 milhões a menos em relação ao mesmo mês de 2024. Enquanto isso, as importações de bens americanos pelo Brasil cresceram 4,6% no período, aumentando em US$ 200 milhões. O saldo da balança com os EUA ficou negativo em US$ 1,23 bilhão, consolidando o oitavo mês seguido de déficit nas transações bilaterais.
No cenário geral, as exportações brasileiras somaram US$ 29,86 bilhões, contra importações de US$ 23,73 bilhões, resultando em superávit de US$ 6,13 bilhões, alta de 35,8% sobre agosto de 2024. O avanço foi puxado por setores como a agropecuária (+8,3%) e a indústria extrativa (+11,3%).
As vendas externas para a China cresceram 29,9%, com destaque para óleo de petróleo (+75%), soja (+28,4%) e carne bovina (+84%). Já a Argentina apresentou aumento de 40,3%, mantendo ritmo de crescimento contínuo ao longo de 2025, especialmente na compra de manufaturados como automóveis.
Especialistas alertam que os números de agosto ainda não refletem plenamente os efeitos da sobretaxa, já que embarques programados anteriormente foram concluídos. O consultor Welber Barral projeta quedas mais fortes nos próximos meses.
O tarifaço combina 40% adicionais por razões políticas — incluindo suspeitas de práticas desleais de comércio e a pressão em torno do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro — com os 10% já aplicados em abril sob a justificativa de “reciprocidade tarifária”.
Embora 700 produtos tenham sido poupados da sobretaxa, como aeronaves, minério de ferro, petróleo e celulose, muitos registraram retração. Segundo o Mdic, até os itens isentos sofreram queda de 20,1% por conta da incerteza no mercado após o anúncio das tarifas.
Entre os produtos mais atingidos em agosto estão aeronaves (-84,9%), açúcar (-88,4%), carne bovina fresca (-46,2%), óleos e combustíveis (-37%) e madeira (-39,9%).
Para o pesquisador Lívio Ribeiro, do FGV Ibre, o momento ainda é de “forte volatilidade” e adaptação das empresas brasileiras ao novo cenário comercial.
Com informações de O Globo.

