O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP) defendeu a proibição das apostas eletrônicas de quota fixa no Brasil, conhecidas como bets. Durante entrevista ao ICL Notícias, o chefe do Executivo demonstrou preocupação com o endividamento da população e com os impactos do vício em jogos na saúde pública.
Segundo Lula, uma eventual decisão final depende de articulação com o Congresso Nacional do Brasil.
“Se depender de mim, a gente fecha as bets. Não é possível continuar com essa jogatina desenfreada neste país. Isso leva a sociedade a cometer desvios”, afirmou Lula.
A complexidade do debate político foi destacada pelo presidente da República, que apontou forte influência do setor de apostas no financiamento de parlamentares e partidos políticos.
Endividamento
O presidente argumentou que o endividamento tem origem, principalmente, nos baixos salários. Ao mesmo tempo, o governo estuda propostas para ajudar famílias a quitar dívidas, cenário que estaria sendo agravado pela promessa de ganho rápido associada às apostas.
“Todo mundo quer ganhar um dinheirinho a mais, mas, quando a pessoa está viciada no jogo, tem que tratar isso como uma questão de saúde. Eu conheço pessoas que perderam o carro, perderam a casa. Pessoas que se matam”, lamentou o Presidente.
Dados do Banco Central (BC) indicam que, no primeiro trimestre de 2025, apostadores destinaram até R$ 30 bilhões por mês às bets.
Comparação
Ao defender o fim das apostas, Lula comparou o cenário atual à antiga proibição de cassinos físicos e do jogo do bicho. Na avaliação dele, a tecnologia derrubou barreiras que antes protegiam as famílias.
“Eu passei toda minha vida ouvindo dizer que não era possível ter jogo de azar, ter cassino; o jogo do bicho era contravenção. Hoje, o cassino está dentro da sua casa, com o seu filho de 10 anos […] utilizando o celular do pai que é contra o jogo de azar, gastando dinheiro desnecessário e enriquecendo as bets”, declarou Lula.
O presidente Lula também rebateu a tese de dependência do futebol em relação aos patrocínios dessas empresas. “O futebol viveu um século e meio sem as bets”, afirmou.
Entenda
Desde 2018, as apostas de quota fixa em eventos esportivos são legalizadas no país. A regulamentação foi concluída em 2023, ampliando a legalização também para jogos online dessa modalidade.
A responsabilidade pela regulação ficou com o Ministério da Fazenda, que criou em 2024 a Secretaria de Prêmios e Apostas. Desde então, dezenas de portarias com regras para o setor foram publicadas.
Mesmo com críticas do presidente Lula, a arrecadação federal com o segmento cresce rapidamente. Segundo a Receita Federal, a tributação sobre apostas online e jogos de azar gerou R$ 2,5 bilhões em janeiro e fevereiro deste ano, ante R$ 756 milhões no mesmo período do ano passado, alta de 236%.
Com informações da Agência Brasil.

