Tempos acelerados pedem de nós atitudes de frenagem e flanagem. Eu sei. Nem sempre elas são possíveis (especialmente na relação com o trabalho para quem não tem o privilégio de ter os boletos pagos).
Mas para algumas pessoas, acredito que seja possível, todos os dias, se acolher pensando que não vamos dar conta de tudo e está tudo bem. Isso ajuda a gente a entender o que é urgente mesmo e o que é urgência fabricada pelo mundo que corre. Ajuda a eleger qual pratinho podemos deixar cair. E não quer dizer que seremos irresponsáveis com o pratinho que cai.
Em vez de “tudo sob controle”, que tal “tudo sob cuidado”? Que tal buscar entender o que precisa mesmo de resposta rápida e o que pode esperar um pouco, pode ser adiado ou mesmo pode não ser feito? Que tal pensar que é possível falhar (e erros são bem vindos, pois somos gente e vamos remendar o possível cuidadosamente)?
Desacelerar é também se perguntar quando a velocidade é necessária e quando ela não é, mas estamos correndo, apenas porque isso virou o “normal” (ou automático) ou porque estamos anestesiados sem pensar direito na situação.
Desacelerar é desanestesiar, para entendermos o que pode esperar.
Conversar. Organizar. Escutar. Compreender. E, se possível, escolher.

