O primeiro dia do Seminário Estadual Bolsa Família em Ação, realizado nesta terça-feira (18) no Hotel Vila Galé, em Fortaleza, reuniu gestores e equipes técnicas de assistência social, saúde e educação dos municípios cearenses.
A iniciativa, promovida pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) em parceria com a Secretaria da Proteção Social (SPS), destacou o papel estratégico do Ceará na condução das políticas de transferência de renda e apresentou indicadores que colocam o Estado na liderança do acompanhamento de saúde no programa Bolsa Família.
A programação, prevista até quarta-feira (19), mantém o foco na qualificação das gestões municipais. A abertura ressaltou avanços recentes, alinhamentos técnicos e desafios enfrentados pelos municípios no gerenciamento de benefícios e no monitoramento das famílias em diversas áreas.
Os resultados iniciais confirmam os índices que projetam o Estado no cenário nacional. Em 2024, o Ceará alcançou 89,8% de acompanhamento de saúde entre beneficiários do Bolsa Família e 78,4% entre crianças.
No campo da educação, a frequência escolar ficou em 90%, percentual decisivo para assegurar o acesso de crianças e adolescentes às políticas educacionais e a continuidade do benefício.
AVANÇOS DO CEARÁ
A secretária nacional de Renda e Cidadania do MDS, Eliane Aquino, destacou o papel do Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) e a importância da participação dos gestores no seminário. Ela afirmou que o Bolsa Família depende diretamente da assistência social, pois o cadastro revela quem são as famílias mais vulneráveis, onde vivem, qual a escolaridade e como ocorre o acompanhamento de saúde das crianças.

O secretário executivo da Proteção Social, Ecildo Filho, ressaltou o protagonismo cearense, afirmando que o Governo do Estado mantém forte compromisso com a assistência social.
Ele lembrou que mais de 1,3 milhão de famílias recebem o benefício, apontou a liderança nos indicadores de saúde e mencionou que o orçamento da área cresceu 31% na atual gestão.
Também citou que programas como o Ceará Sem Fome contribuíram para retirar 150 mil pessoas da insegurança alimentar grave.
O relato de Lidia Gomes, mãe solo de uma adolescente com autismo e beneficiária do Bolsa Família, reforçou o impacto do programa. Ela contou que começou a receber o auxílio enquanto vivia com a filha em um abrigo público e explicou como o benefício ajudou a garantir moradia, qualificação profissional e acompanhamento de saúde.
VIDAS TRANSFORMADAS
Lidia Gomes lembrou que precisou deixar de trabalhar para ficar ao lado da filha, que tem mudanças de humor frequentes. Ela disse que o Bolsa Família permite pagar aluguel, contas básicas e garantir alimentação.

A beneficiária destacou ainda que os cursos oferecidos pelos equipamentos sociais, acessados por meio do CadÚnico, se tornaram decisivos para o planejamento de sua futura doceria. O desejo surgiu após uma formação em confeitaria e chocolates, experiência que reacendeu seu interesse por empreendedorismo.
A coordenadora do Núcleo de Gestão de Benefícios e Transferência de Renda da SPS, Silvana Crispim, compartilhou a trajetória dela e mencionou como a vivência familiar motivou a atuação nas políticas sociais. Ela contou que cresceu em um ambiente com poucos recursos, onde alimentação e educação formavam as prioridades, e destacou que essa realidade fortaleceu sua escolha por trabalhar na redução das vulnerabilidades.
IMPACTO E PROJEÇÃO
O economista líder da Proteção Social e Trabalho no Brasil pelo Banco Mundial, Facundo Cuevas, comparou o modelo brasileiro a experiências estudadas globalmente. Ele afirmou que o Bolsa Família é referência internacional e relatou que diversos países buscam aprender com a política.
O Ceará tem 2.462.476 famílias inscritas no Cadastro Único e 1.363.386 atendidas pelo Bolsa Família. Em outubro, foram transferidos R$ 916,59 milhões às famílias, com valor médio de R$ 672,82 por benefício.
Entre os beneficiários, 374.813 pertencem a grupos populacionais tradicionais e específicos. O segundo dia do seminário, nesta terça-feira (19), foi dedicado ao aprofundamento técnico das condicionalidades de saúde e educação, à apresentação de experiências municipais, ao trabalho intersetorial e à qualificação das equipes que acompanham as famílias.
A etapa final abordará estratégias para fortalecer o planejamento das ações de assistência social e aprimorar a articulação entre políticas públicas capazes de enfrentar a pobreza multidimensional.

