A deputada federal Luizianne Lins (PT) e os demais ativistas brasileiros que integraram a flotilha de ajuda humanitária aos palestinos em Gaza embarcaram nesta quinta-feira (9) no Brasil. Em coletiva, a cearense afirmou que o exército israelense, ao interceptar o barco, chegou a utilizar material tóxico, jogar bombas com o uso de drones e até mesmo torturá-los.
Segundo ela, já no dia 23 de setembro, a embarcação sofreu os ataques de drones. A deputada afirmou que o barco dela não foi atingido, mas outros foram. “Vi oito explosões. Imagina estar no meio do Mar Mediterrâneo, não ver terra nem de um lado, e você começa a ser bombardeado através de drones”, disse. “Um inimigo covarde, que ataca à noite e não tem face, vai pelos drones”, acrescentou.
Ainda conforme a parlamentar, o exército de Israel também utilizou um material corrosivo e um que dificulta a respiração, que chegou a atingir algumas pessoas.
Luizianne informou ainda que o grupo de brasileiros sofreu tortura. Ao serem levados ao Porto de Ashdod, de acordo com ela, os ativistas tiveram que ficar mais de uma hora com a cabeça no chão e sem poder fazer movimento.
“Essa situação se configura como tortura. Se fazem isso com o mundo inteiro vendo, imagina o que não sofrem os palestinos presos?”, questionou, lembrando que são mais de 20 mil palestinos presos, sendo 400 crianças.INTERCEPTAÇÃO ILEGAL A deputada destacou que, ao começarem a ser atacados, a embarcação optou por navegar pela costa da Grécia, já que não estariam mais em águas internacionais. “O problema, quando vai para as águas internacionais, é que Israel acha que é dono”, disse, frisando que tal ação se trata de uma interceptação ilegal.
“Impressionante estar em águas internacionais, naquela faixa marítima que já não tem mais propriedade de determinado país, e eles começaram com violência psicológica e física, recebendo jatos d’água cada vez mais intensos”, acrescentou.Ela lembrou ainda que foram levados a Israel à força, já que não era o objetivo da flotilha chegar ao território israelense, e sim a Gaza, onde levariam suprimentos para os palestinos. Ao serem presos, aliás, Luizianne destacou que “de hora em hora” os militares conferiam a cela para contar o número de pessoas. Ao chegar à Jordânia, segundo ela, a embaixada brasileira foi acolhedora, o que ajudou a tranquilizar os ativistas. “Nos acolheu com dignidade, e foi muito importante esse momento. Estávamos assustados, sem saber o que ia acontecer”, completou.
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