O Parque Zoobotânico de Fortaleza protagonizou um marco importante para a conservação ambiental no Brasil. O equipamento da Prefeitura de Fortaleza e administrado pela Autarquia Municipal de Urbanismo e Paisagismo (UrbFor) registrou pela primeira vez o nascimento de um filhote de primata ameaçado de extinção no país.
Com um mês de vida completado nesta quarta-feira (7), o filhote de guariba-da-Caatinga é resultado do único casal da espécie mantido em zoológicos no mundo. O nascimento simboliza o avanço no processo de adaptação dos mais de 270 animais acolhidos pelo parque, etapa essencial para a reabertura do equipamento ao público.
Segundo a Prefeitura, o evento reforça o papel do Zoológico de Fortaleza na preservação da fauna brasileira e evidencia o trabalho técnico realizado pela gestão municipal. De acordo com o diretor de conservação e monitoramento da UrbFor, Raphael Martins, o nascimento do filhote comprova o êxito do manejo realizado com o casal.
“A nossa missão era receber esses dois indivíduos ameaçados de extinção e que não tinham condição de soltura, conseguir juntá-los, pareá-los e tentar a reprodução da espécie. Esse processo de reprodução bem-sucedido também mostra o bem-estar alcançado na adaptação, que eles estão em um local apropriado, sendo bem cuidados”, afirmou.
O biólogo ressalta que o desafio inicial foi reunir dois indivíduos que não poderiam retornar à natureza, promover o pareamento e criar condições para que a reprodução ocorresse. O sucesso do processo indica que o ambiente oferecido pelo parque atende às necessidades da espécie.
Assim como o guariba-da-Caatinga, outras espécies que chegaram recentemente ao parque passam por um período criterioso de adaptação. Muitos desses animais são provenientes de resgates, centros de triagem ou situações de vulnerabilidade, o que impede a reintrodução na vida silvestre.
Entre os animais recebidos nos últimos meses estão espécies como tamanduá-bandeira, onça-pintada, píton-reticulada, macaco-grivete, emu, arara-azul, guaxinim, quati, pavão, cateto, gato-do-mato e anta.
Para a chefe de núcleo e médica veterinária do parque, Patrícia Vasconcelos, o nascimento representa uma oportunidade inédita. Segundo ela, trata-se do primeiro casal da espécie em cativeiro, o que permite iniciar estudos e observações até então impossíveis sobre o comportamento e o desenvolvimento do guariba-da-Caatinga.
“Este é o primeiro casal dessa espécie em cativeiro, então é o primeiro nascimento também. E isso vai nos ajudar muito a estudar, a pesquisar mais sobre essa espécie e fazer essa primeira observação sobre uma espécie que nunca pôde ser observada”, ressaltou.
O filhote de guariba-da-Caatinga apresenta bom estado de saúde e permanece sob os cuidados dos pais, que foram intencionalmente reunidos como parte de uma estratégia de conservação da espécie. Na natureza, esses primatas sofrem com a perda de habitat, fragmentação das áreas de floresta e a pressão da ação humana em regiões que abrangem os estados do Ceará, Piauí e Maranhão, em biomas como Caatinga, Cerrado e Manguezais.

