O ministro da Secretaria-geral da Presidência da República, Guilherme Boulos (Psol), afirmou nesta terça-feira (27) que a expectativa do Governo Lula é que o fim da escala 6×1 seja aprovado ainda neste semestre. “Essa é uma necessidade do trabalhador brasileiro”, acredita.
Segundo ele, há um empenho do Governo Federal em reduzir a carga de trabalho semanal, aumentando o tempo livre para os trabalhadores.
“Eu espero que isso possa ser pautado [para votação no Congresso Nacional], aprovado e promulgado pelo presidente Lula neste primeiro semestre, para que os trabalhadores brasileiros tenham paz, tenham descanso e possam ter tempo com a sua família para lazer, para cuidado, que é o básico para qualquer um”, disse o ministro, em entrevista coletiva no Rio de Janeiro.
O fim da escala 6×1 foi apresentado, em fevereiro do ano passado, a partir de uma Proposta de Emenda Constitucional da deputada federal Erika Hilton (PSOL/SP), posteriormente assinada por 226 deputados. A iniciativa ganhou força a partir do Movimento VAT (Vida Além do Trabalho), liderado por Rick Azevedo, vereador do Rio de Janeiro.
Boulos acredita que a resistência da mudança entre os grandes empresários não é “nenhuma surpresa”. “Quando foi que grande empresário foi a favor de direito do trabalhador? Nunca vi na história. Se dependesse deles, seria escala 7×0. Se dependesse de muitos deles, não teria sido nem promulgada a Lei Áurea neste país.”
Produtividade
Semana passada, Boulos endossou a defesa do fim da escala 6×1, reforçando um estudo da Fundação Getúlio Vargas, de 2024. A pesquisa aponta que 19 empresas que reduziram a jornada de trabalho tiveram aumento de receita de 72% delas e de cumprimento de prazos em 44%. “Estão reduzindo mesmo sem a legislação”, destacou.
“E por que aumenta a produtividade? Quando esse trabalhador ou trabalhadora está mais descansado, o resultado é que ele vai trabalhar melhor. Então, o que a gente sustenta é baseado em dados”, afirmou.
O ministro contou ainda que a empresa Microsoft, no Japão, adotou a escala 4 por 3 e teve aumentou de 40% na produtividade individual do trabalhador. Boulos também deu exemplo de outros países.
“A Islândia em 2023 reduziu para 35 horas [semanais], com jornada 4 por 3. Sabe o que aconteceu? A economia da Islândia cresceu 5% e a produtividade do trabalho aumentou 1,5%. Nos Estados Unidos, houve uma redução média de 35 minutos de trabalho por dia nos últimos três anos. Não foi uma lei, isso aconteceu pela própria dinâmica do mercado e aumentou em média 2% da produtividade”, disse.

