O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou uma nova atualização da chamada “Lista Suja” do Trabalho Escravo, incluindo 159 empregadores no Brasil, entre eles o cantor Amado Batista e a fabricante chinesa de carros BYD. Um cearense também foi inserido.
Com isso, o documento passa a ter 613 empresas e pessoas físicas que submeteram trabalhadores e trabalhadoras em condições degradantes. Isso representa um aumento de 20% em relação ao ano anterior.
A Lista Suja contém casos que ocorreram entre 2020 e 2025. Nesse período, mais de 1,5 mil pessoas foram resgatadas de situações de exploração.
Entre as atividades econômicas contidas no documento, a maior parte é ligada à agropecuária: o corte de bovinos. Aparecem ainda serviços domésticos, cultivo de café, e construção civil.
BYD
Uma das empregadoras incluídas nesta atualização é a BYD, fabricante de carros elétricos, que terceirizou os serviços na unidade de Camaçari, região metropolitana de Salvador, na Bahia. Em junho do ano passado, o MTE autuou a companhia por submeter trabalhadores chineses a condições análogas à escravidão.
As investigações apontaram que mais de 400 trabalhadores foram trazidos de forma irregular ao Brasil para atuar nas obras da fábrica. Desses, 163 foram resgatados em condições semelhantes à escravidão. A empresa não se pronunciou até o momento.
Amado Batista
O cantor Amado Batista também passou a integrar a lista. O documento cita que 14 trabalhadores foram submetidos a condições degradantes, em dois sítios do artista, na zona rural de Goianápolis, Goiás.
Em nota, a assessoria do cantor negou as acusações e diz que foram identificadas irregularidades na contratação de quatro colaboradores que eram empregados de uma empresa terceirizada. Também informou que a ocorrência gerou acordo com o ministério público, e que estão sendo tomadas “todas as providências administrativas para o encerramento” das autuações.
Cearense na lista
Entre os 159 empregadores, também foi incluído um cearense, que atua numa fazenda no povoado de Várzea da Onça, na zona rural de Quixadá. Seu caso envolve um trabalhador, sendo identificado em abril de 2023 e incluído no ano seguinte.
Os nomes inseridos na lista suja passam por processos administrativos, com direito à ampla defesa. Após a inclusão, permanecem no cadastro por dois anos. Apesar da entrada de 159 novos empregadores, 184 foram retirados nesta atualização. A exclusão pode ocorrer antes do prazo, caso haja acordo de regularização com o MTE.

