O Governo do Ceará iniciou uma articulação para integrar de forma mais efetiva o setor de Tecnologia da Informação (TI) aos grandes projetos estruturantes em curso no Estado. Em reunião recente, o secretário executivo de Comércio, Serviços e Inovação da Secretaria do Desenvolvimento Econômico (SDE), Vicente Ferrer, recebeu a diretoria do Sindicato das Empresas de Tecnologia da Informação do Ceará (SEITAC), representada pelo presidente Ozair Gomes e pelo diretor Wanderley Arouche.
O encontro marcou o início de um diálogo estratégico para inserir o ecossistema de TI cearense em iniciativas como o Hub de Dados – com a instalação de data centers – e nas novas oportunidades comerciais abertas a partir do acordo entre o Mercosul e a União Europeia. A preocupação central é garantir que as empresas locais não apenas acompanhem, mas participem ativamente dessa nova cadeia de valor.
O Ceará tem se consolidado como um dos principais pontos de conectividade do mundo, atraindo grandes grupos globais de armazenamento e processamento de dados. Para a SDE, no entanto, esse avanço precisa gerar efeitos diretos sobre a economia local, com a contratação de empresas cearenses e a internalização do conhecimento tecnológico.
“O futuro de todos os setores, seja o agronegócio, o comércio ou a indústria, está diretamente ligado ao desenvolvimento tecnológico. As empresas cearenses precisam ser protagonistas desse processo, contribuindo para a melhoria tecnológica dos nossos municípios”, afirmou Vicente Ferrer.
Interiorização dos data centers
Um dos pontos centrais da reunião foi a discussão sobre a interiorização dos data centers. A proposta é levar infraestrutura digital para além de Fortaleza, promovendo a modernização dos serviços públicos e privados e estimulando o desenvolvimento econômico em diferentes regiões do Estado.
A iniciativa busca reduzir desigualdades regionais e criar novas oportunidades de negócios e empregos qualificados no interior, fortalecendo a economia digital de forma descentralizada.
Impactos do acordo Mercosul–União Europeia
Outro tema estratégico debatido foi o tratado comercial entre o Mercosul e a União Europeia. A SDE e o SEITAC analisam os possíveis impactos do acordo sobre as empresas de tecnologia do Ceará, com foco na antecipação de desafios regulatórios e na identificação de oportunidades para a exportação de serviços de TI.
“Estamos aguardando um documento formal do sindicato que traga as demandas e posições do setor. A SDE vai analisar e tomar providências para dar o suporte necessário para que nossas empresas enfrentem essa nova realidade global com competitividade. Em breve, o titular da SDE, Domingos Filho, irá se reunir com o SEITAC e o corpo técnico da secretaria para direcionamentos e tratativas”, explicou Ferrer.
Sinergia com o agronegócio
A articulação com o setor de TI ocorre em paralelo a projetos estratégicos do agronegócio cearense, como o Projeto Halal Ceará, voltado à exportação de proteínas para mercados como o Oriente Médio e a Europa. Segundo a SDE, a convergência entre as áreas é direta: a competitividade do agro depende cada vez mais de soluções tecnológicas em rastreabilidade, inteligência de dados e automação.
A proposta do governo é que essas soluções sejam desenvolvidas e fornecidas por empresas locais, fortalecendo a cadeia produtiva interna e agregando valor à economia do Estado.
Próximas tratativas
Ao final do encontro, ficou definido que a SDE receberá, em breve, a diretoria completa do SEITAC para a entrega de um plano de diretrizes do setor. Entre os eixos prioritários estão a integração das empresas cearenses aos grandes data centers instalados no Estado, o apoio à modernização tecnológica dos municípios e a preparação do setor de serviços e tecnologia para aproveitar as oportunidades geradas pelo acordo com a União Europeia.

