“Mãe, eu quero ser isso”, decidiu Maria Isadora Feitosa Araújo, 17, ao assistir uma propaganda e se emocionar com o trabalho dos profissionais da Organização Não Governamental (ONG) Médicos Sem Fronteiras.
O sonho, definido ainda criança, começou a se tornar realidade quando viu seu nome constar na lista de aprovados do vestibular da Universidade Estadual do Ceará (Uece), divulgada na quarta-feira, 14.
Pilar essencial na organização e realização da rotina de estudos de Isadora, como a própria estudante faz questão de falar, a empreendedora e matriarca da família, Érica Martins Feitosa, declara emocionada o orgulho que sente da filha.
“A Isadora sempre quis, sempre buscou, e a gente sempre buscou também incentivar, estar por perto e oferecer o que ela precisasse para conseguir realizar esse sonho. É um sonho realizado e é muito bom ver quantas pessoas estão felizes por ela também. A gente vê o quanto ela é amada. Eu estou muito feliz”, confessa orgulhosa.
Formado engenheiro civil, Webston descreve admirado a rotina de estudos da filha. Para ele, a aprovação é fruto do esforço empenhado pela filha, que abriu mão de outros eventos para conquistar o sonho de cursar Medicina.
Sobre a rotina de estudos de Isadora, ele diz que “ela tinha aquela rotina dela, e ela não saía daquela rotina, do cronograma de estudar. Se tivesse uma festa no dia, ela dizia: ‘Não, hoje eu tenho que estudar, tá planejado isso aqui’. Ela sempre foi muito dedicada, nunca deu trabalho para a gente nos estudos. É só orgulho, é o que eu tenho para dizer”, compartilha.
Rotina de estudos e apoio da escola foram fundamentais para a aprovação
Egressa da Escola de Ensino Médio Governador Luiz Gonzaga da Fonseca Mota, no município de Quixadá, Isadora faz questão de agradecer pelo apoio dos professores e profissionais da instituição que a ajudaram a alcançar a aprovação.
Ela destacou a acessibilidade dos professores e da direção, a quem agradeceu em nome do diretor Pedro, que se mostraram disponíveis para tirar dúvidas e oferecer apoio emocional mesmo fora dos horários de aula.
“Eu sempre ia para a escola e levava listas de questões para fazer, às vezes durante a aula, quando era um conteúdo que eu já tinha visto, ou então durante o recreio, ou então na saída. E eu tinha um receio dos professores se sentirem desrespeitados, ou então não quererem tirar alguma dúvida ou outra por estarem cansados, mas eu vi que isso não aconteceu por lá”, conta.
Ela explica ainda que chegou um momento em que, durante a saída das aulas, já não precisava ir os professores, porque ficava com receio de tirar um tempo deles de descanso. Foi então que os próprios docentes começaram a vir até ela e oferecer ajuda.
“Não foi só comigo, foram com vários estudantes. O Pedro também, que é um diretor, ele teve um carinho e uma atenção gigantesca comigo, que ele também tem com os outros estudantes. Então, foi um ambiente em que eu me senti muito confortável para poder perguntar, ir atrás deles nesse quesito”, agradece.
Apesar da dedicação inegável, Isadora destaca a necessidade do descanso para manter uma rotina saudável de estudos.
“Apesar de eu amar estudar, eu tinha que reconhecer o momento de parar e ter o meu tempo ali de descanso, porque a pessoa precisa realmente ter esse momento. Não só para descansar e ficar em paz, mas também porque é necessário você ter um convívio social com sua família, um tempo de qualidade. Então, se você tiver uma rotina certinha e descansar um dia da semana, isso não faz mal”, garante.
“A educação pública transforma vidas”
Defensora ardorosa da educação pública, Isadora relembra a importância do ensino para a família. A avó, Rita, mudou-se do sertão de Boa Viagem para Quixadá e, segundo a neta, “se formou em todas as faculdades que ela podia se formar, inclusive ela foi professora”.
E acrescenta: “Minha bisavó também foi professora, meu tio é professor, todos da educação pública. Então, assim, os professores na minha vida sempre tiveram um papel essencial”.
Ela espera que a sua aprovação ajude a mostrar a importância e dê mais visibilidade para a educação pública. “A educação pública ela aprova sim também muitas pessoas e ela transforma a vida das pessoas. Para mim é uma honra muito grande ter feito parte da escola Gonzaga Mota e ter recebido toda essa atenção e todo esse carinho, e que em todos os colégios de Quixadá também isso passe a acontecer”, ressalta
E finaliza: “O apoio, não só de um professor, mas do professor é essencial. Vou falar isso para você. Os professores são uma parte que não pode faltar”.
Com informações de OPOVO

