Conhecida na Venezuela como “primeira-combatente” e descrita por interlocutores como uma figura de personalidade forte e grande influência política, Cilia Flores, esposa do presidente Nicolás Maduro, foi capturada por agentes americanos durante um ataque de larga escala dos Estados Unidos contra alvos estratégicos em Caracas e outras cidades do país, na madrugada deste sábado.
De acordo com as informações, a ofensiva atingiu instalações consideradas estratégicas pelo governo americano e teve como um de seus principais alvos a primeira-dama venezuelana, que exerce papel central nos bastidores do poder em Caracas.
Influência direta no núcleo do governo
Cilia Flores é apontada como uma das figuras mais poderosas do governo venezuelano. Segundo fontes políticas, ela tem carta branca para interferir na alta cúpula, podendo indicar ou afastar nomes estratégicos do regime.
Nos bastidores do chavismo, é reconhecida como uma das principais articuladoras políticas e uma das responsáveis pela sustentação interna do governo Maduro.
Trajetória política e relação com o chavismo
Cilia Adela Gavidia Flores de Maduro tem 66 anos e, desde 2016, ocupa o cargo de deputada na Assembleia Nacional da Venezuela, representando seu estado natal, Cojedes.
O relacionamento com Maduro remonta à década de 1990, período em que ela atuava como advogada do então presidente Hugo Chávez. Apesar da longa relação, Cilia e Maduro só se casaram oficialmente em 2013.
Papel decisivo em momentos-chave da história venezuelana
Avessa à exposição midiática, Cilia Flores construiu sua reputação política nos bastidores. Como advogada, teve atuação considerada fundamental na libertação de Hugo Chávez em 1994, após o golpe de Estado frustrado de 1992, liderado por ele.
Anos depois, durante a tentativa de golpe de 2002, novamente exerceu papel decisivo na articulação política que garantiu o retorno de Chávez ao poder. Esse desempenho lhe rendeu grande prestígio entre políticos e eleitores chavistas.
Naquele período, Cilia presidia o Comando Político da Revolução Bolivariana e integrava o Comando Tático para a Revolução. Dias antes da tentativa de golpe, ela e outros integrantes do grupo chegaram a discutir o uso de paramilitares para defender Chávez no Palácio de Miraflores, estratégia que acabou sendo colocada em prática.
Acusações de nepotismo e defesa pública
Ao longo da carreira, Cilia Flores foi alvo de acusações de nepotismo, com denúncias de contratação de parentes próximos em seu gabinete. Ela sempre negou irregularidades e afirmou ser vítima de uma campanha de difamação movida por adversários políticos.
Caso dos sobrinhos e relação com os EUA
A imagem da primeira-dama também foi impactada pelo caso envolvendo seus sobrinhos Efraín Antonio Campo Flores e Francisco Flores de Freitas, presos em novembro de 2015 sob acusação de tráfico de drogas.
Segundo a acusação, eles tentaram transportar cocaína para os Estados Unidos. Em outubro do ano passado, os dois foram libertados após uma troca de prisioneiros com os EUA, que incluiu a libertação de sete cidadãos americanos mantidos presos na Venezuela há anos.
Contexto político e tensão internacional
A captura de Cilia Flores ocorre em meio à maior escalada de tensão entre Estados Unidos e Venezuela dos últimos anos, ampliando o clima de instabilidade política e diplomática no país e na região.
Informações de O GLOBO.

